quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

INESQUECÍVEL ITABAIANA CLUBE









Assim recordo de como era  a sede do Itabaiana Clube que ficava estabelecida na Avenida Presidente João Pessoa bem no coração da cidade de Itabaiana no Estado da Paraiba.
 Foi fundada na década de 1950 por um grupo da sociedade local, entre eles os Srs. Pedro Servulo, Severino Paulino, Luiz Saraiva e outos. As décadas de 1960 até meados de 1980 marcaram o brilhantismo social desse clube, atualmente, dele, só resta seu nome marcado na calçada em azulejos vermelho e branco desgastado pelo tempo.
 
O Itabaiana Clube era uma sociedade aberta as famílias itabaianense , ser um sócio e participar de suas atividades era  direito aberto a todos, porém regras e normas do seu estatuto teriam que ser respeitadas e cumpridas. Eram rígidas? Sim, eram, mas cumpria as exigências sociais e morais da época. Eu, como outros amigos que não éramos ricos e nem pertencíamos as famílias tradicionais da cidade, fomos sócios e freqüentamos sem nenhum tipo de restrição e/ou preconceito

É incontestável a representatividade econômica que o Itabaiana Clube prestou a cidade, seus eventos alavancavam todo comercio , como por exemplo, as lojas se abasteciam de tecidos, cosméticos, jóias, bijuterias e perfumes, os armazéns de bebidas , os salões de beleza e cabeleireiros superavam toda expectativa, as sapatarias também renovam todo estoque e até as alfaiatarias ficavam sem condições de atender todas encomendas.

As costureiras da cidade, ora me lembro de Dona Marly e Dona Bia, Teresinha Barbosa, Luiza Brito e demais outras que se abarrotavam de encomendas para atender a clientela, para isso Sr João da banca “Juventude” tinha que fazer chegar as mais recentes revistas de modelos de vestidos. Não posso esquecer o fotografo, Sr. Wilson que fazia toda cobertura do evento e depois fixava um painel de algumas fotos em frente de sua loja de fotografias para que o povo em geral apreciasse o glamour da festa, semelhante o que hoje se faz através do facebook.

O comercio ambulante também participava, nos dias dos eventos se instalavam em frente ao clube e vendiam algumas guloseimas e refrigerantes, e nós os solteiros e com pouca grana, quando a fome apertava íamos até fora e comia um cachorro quente do Zezinho ou uns salgadinhos de Dona Erotilde e retornava feliz para o baile.

Agora , a grande clientela desse comercio ambulante era mesmo a turma do “Sereno” , para quem não viveu á época, essa turma que me refiro era um publico que não participava internamente da festa, mas varava a madrugada assistindo do lado de fora através das janelas toda movimentação do evento,  muitos desses eram pais vigiando de longe o comportamento dos filhos e muitos outros , principalmente as mulheres, para observar tudo e no dia seguinte comentar/criticar e fofocar do que assistiram.
                                                                                                            
            
Os eventos promovidos eram realmente grandiosos e em nada ficava a dever aos clubes de João Pessoa ( Cabo Branco e Astréa), tanto era verdadeiro que grande publico da capital se deslocava até Itabaiana para prestigiar os eventos.
Conjuntos e orquestas nacionais tocavam seus bailes, recordo de Ogirio Cavalcanti, Fernando Borges, os Quatro Loucos (roqueiros da época) e das internacionais Marimba Mexicana, Ed Mandarino entre outras.
                                           
O presidente do clube de cada período,  junto com toda sua equipe e o talento das respectivas madrinhas, não mediam esforços para o sucesso das festas.  As madrinhas cada uma com seu talento peculiar, além  das festas tradicionais como carnaval , juninas e o  grande baile de aniversário do clube que acontecia no mês de junho e  era  chamado de Baile de São Pedro, organizavam com muita criatividade  durante todo ano outros bailes, recordo de alguns como o baile das bolas, baile do preto e branco,  o da primavera e  o das mães.

As dependência do Itabaiana Clube também  registrou  muitos outros eventos sociais e culturais da cidade, tais como recepções de casamentos, colação de grau de formandos, festas de aniversários e muitos outros.

Tudo que cito nessa síntese guardo com saudades daqueles anos dourados, mas não posso deixar de  fora o descompromissado e gratuito  evento que nós, então jovens   promovíamos no salão do clube em quase todos finais de semana em que o clube se encontrava livre,   era o que chamávamos de “Assustado”.

Para a juventude atual que talvez  desconheça, um “Assustado” era  nada mais, nada menos do que  um grupo de jovens  que se juntavam para dançar, isso poderia ocorrer numa residência ou no salão de um clube.

No caso do  Itabaiana Clube, o "Assustado" era  geralmente aos sábados, e sempre começava após a sessão de cinema do “ Cine Ideal”. Pois é, assistiamos o filme e  em seguida seguíamos para o Clube , ligávamos o som, ou  melhor a radiola , dançava, conversava e namorava ate meia noite,  e ainda tivemos a honra de dançar ao som do conjunto Arco-Iris, formado por linda garotas itabaianenses.

Bons tempos.

Orlando Araujo
                                                   
 
 
 
 
 

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