O calendário
é uma advertência do tempo para o homem. As últimas horas de um dia prenunciam
as primeiras do dia seguinte.
É assim com os dias, os meses, os anos, os
séculos e os milênios. Assim tem sido durante o longo passeio orbital desse planeta na estrada
que o mantém preso ao magnetismo vigoroso do Sol.
Os
poetas são unânimes em afirmar que estamos submetidos à fatalidade das
mudanças. Eles mesmos, entretanto, ensinam que esse impulso renovador se produz
no interior de cada um de nós.
Dessa
forma, o Ano Novo não será dádiva de um novo tempo, mas construção de cada um.
Há um verso do bom e freqüentado Fernando Pessoa que define o que será como
dependência do que somos ou fazemos: “Entre a arvore e o vê-la,/onde está o
sonho?....” “Entre o que vive e a vida,/ pra que lado corre o rio?”
Vemos
aí que a vida, em seus vários aspectos, resulta do curso que imprimimos à nossa
trajetória; e que a paisagem exterior é projeção de nossos sonhos. O Carlos Penna Filho define
seu amor pelo Recife anunciando que “é do sonho dos homens que uma cidade se
inventa”.
O
Evangelho que, para nós, constitui uma proposta de permanente ascensão,
traz-nos a lição do “Sermão da Montanha, convocando-nos ao processo de mudança
interior: “ Ouviste o que foi dito”- o tempo de antes.”Eu, porém, vos digo”- o
tempo de hoje. Para o Evangelho, pois, o novo é uma construção que nos cabe
empreender, aplicando, disciplinadamente, o que sua generosidade nos ensina.
Vamos
construir um tempo novo. Juntemos nossas parcelas de amor, dedicação, boa
vontade, e nada resistirá ao encanto dos dias que hão de vir.
FELIZ
ANO NOVO
“
Mensagem escrita por Humberto Vasconcelos e distribuída aqui em Recife pela
Campanha do Quilo.
Orlando
Araujo
