UMA HISTORIA DE AMOR


SEU CHICO E  DONA BIBI 
 EXEMPLO DE AMOR PERFEITO
 
 Final da década de 1960, as famílias ainda eram de forma patriarcal, onde  o “ Homen” era o todo  poderoso, a “ Mulher” das prendas domesticas e submissa, e os filhos só legítimos de casamentos religioso e ou civil, fora desse contexto eram bastardos e não reconhecidos pelas leis e religião catolica.
Os casamentos aparentemente eram perfeitos, as mulheres preferiam ser mal casadas a serem desquitadas ou separadas, condições essas não aceitas pela sociedade da época.
Dentro desse contexto muitas mulheres suportavam as grosserias dos maridos em prol da família. Amor e romantismo era raridade, a conveniência de viver uma vida sem comentários do meio era uma opção mais tranqüila.
As senhoras casadas jamais poderiam participar dos papos dos namoros das jovens donzelas, a não ser para fiscalizar,  o que inibia as jovens. Falar em caricia ou em beijos na presença da mãe era repreensão na certa, como se ela, a mãe, nunca tivesse praticado.
Era raridade, mais existia senhoras inteligentes e  corajosas que dialogavam com a juventude e falavam de seu amor, de seu romantismo e da felicidade do seu casamento.
Nessa época eu já namorando com Jane, minha atual e eterna namorada, tive o prazer de conhecer uma dessas senhoras que amou e foi muito amada,  e lhe dava prazer externar aos jovens namorados seus sentimentos para que servisse de espelho para o lar que pretendiam formar, coincidência ou não, quase todos casais de namorados que casaram e foram monitorados por essa Senhora, são casados e felizes a mais de 30 anos.
Esse exemplo de  amor e romantismo  foi vivido pelo casal Sr. Francisco Carvalho ( Seu Chico) e Dona Maria Amélia de Carvalho ( D. Bibi)
Seu Chico não tive a honra de conhecê-lo nesse plano, mas sua historia a conheço contada pela sua amada Bibi.
Seu. Chico é de uma tradicional família de Itabaiana, é tio do cineasta e escritor Wladimir Carvalho. Sua profissão principal era de Guarda Livros ( atual Contador), mas também lidava com apicultura e tinha em seu quintal  um apiário que produzia mel de excelente qualidade. Alem de D. Bibi era apaixonado por musica e tocava saxofone muito bem, a Banda de Musica de Itabaiana fez registro de sua arte.
Dona Bibi era de prendas domestica,  muito religiosa,  tinha um carinho muito especial pela Igreja Matriz de Itabaiana, dirigiu a Congregação das Filhas de Maria por mais de 60 anos, vale ressaltar que sua dedicação e competência era tão perfeita, que nessa congregação só era permitida a permanência de moças solteiras, quando casavam,  saiam, D. Bibi permaneceu.
Como seu amado Chico,  também amava a arte, e nas horas vagas tocavam o seu Banjo e cantarolava as musicas românticas e religiosas da época.
Seu Chico e D. Bibi apesar de um lindo amor, não foram agraciados com filhos biológicos, mas isso em nada tirou o brilho do seu lar, adotaram dois , Fernando que ainda jovem partiu para o Rio de Janeiro  e os deixou sem noticias, o que muito lamentava D. Bibi, e a Dona Josefa que cuidou deles com muito carinho e os presenteou com uma neta que é minha amiga Maria das Graças  muito amada pelo casal.
Aqui morava Seu Chico e Dona Bibi, na Rua Manoel Joaquim de Araujo  ( Praça do Coreto). Nessa longa longa calçada sob a sombra dessa arvore,  diariamente Dona Bibi se sentava  em sua cadeira de balanço, sempre com seu terço na mão, rezando. Aos pouco ia ficando rodeada por pessoas que vinham  conversar e ouvir seus conselhos, em sua maioria , jovens.
Seu carisma era contagiante, estava sempre feliz e sorrindo, mas as  vezes se   emocionava e chorava um pouco quando o assunto lembrava Seu Chico.
 Toda vizinhança tinha um carinho muito especial por ela, a visitava diariamente a qualquer hora,
 e lá estava D. Bibi sempre feliz e sorridente  de abraço aberto para receber a todos, muitos a
chamavam de “ Madrinha Bibi”.
 
 
Já com a idade avançada D. Bibi perdeu a visão, mas continuou  como antes, nada enxergava,
mas o o sorriso  era o mesmo, continuava feliz  e sempre dizia, essa escuridão jamais me impossibilitará
de ver o meu Francisco.
Hoje mais de  30  anos sem a Dona Bibi, sempre que falo nela me emociono e tenho o pressentimento que ela está ao meu lado com o seu sorriso.
 
Foi uma benção Madrinha Bibi, ter conhecido a Senhora.
 
Orlando Araujo
 
  
 

 

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