SEU CHICO E DONA BIBI
EXEMPLO DE AMOR PERFEITO
Os casamentos aparentemente eram perfeitos, as mulheres preferiam ser mal casadas a serem desquitadas ou separadas, condições essas não aceitas pela sociedade da época.
Dentro desse contexto muitas mulheres suportavam as
grosserias dos maridos em prol da família. Amor e romantismo era raridade, a
conveniência de viver uma vida sem comentários do meio era uma opção mais
tranqüila.
As senhoras casadas jamais poderiam participar dos
papos dos namoros das jovens donzelas, a não ser para fiscalizar, o que inibia
as jovens. Falar em caricia ou em beijos na presença da mãe era repreensão na
certa, como se ela, a mãe, nunca tivesse praticado.
Era raridade, mais existia senhoras inteligentes e corajosas que dialogavam com a juventude e
falavam de seu amor, de seu romantismo e da felicidade do seu casamento.
Nessa época eu já namorando com Jane, minha atual e
eterna namorada, tive o prazer de conhecer uma dessas senhoras que amou e foi
muito amada, e lhe dava prazer externar aos jovens namorados seus sentimentos
para que servisse de espelho para o lar que pretendiam formar, coincidência ou
não, quase todos casais de namorados que casaram e foram monitorados por essa Senhora,
são casados e felizes a mais de 30 anos.
Esse exemplo de amor e romantismo foi vivido pelo casal Sr. Francisco Carvalho (
Seu Chico) e Dona Maria Amélia de Carvalho ( D. Bibi)
Seu Chico não tive a honra de conhecê-lo nesse plano,
mas sua historia a conheço contada pela sua amada Bibi.
Seu. Chico é de uma tradicional família de Itabaiana, é
tio do cineasta e escritor Wladimir Carvalho. Sua profissão principal era de
Guarda Livros ( atual Contador), mas também lidava com apicultura e tinha em
seu quintal um apiário que produzia mel
de excelente qualidade. Alem de D. Bibi era apaixonado por musica e tocava
saxofone muito bem, a Banda de Musica de Itabaiana fez registro de sua arte.
Dona Bibi era de prendas domestica, muito religiosa, tinha um carinho muito especial pela Igreja
Matriz de Itabaiana, dirigiu a Congregação das Filhas de Maria por mais de 60
anos, vale ressaltar que sua dedicação e competência era tão perfeita, que
nessa congregação só era permitida a permanência de moças solteiras, quando
casavam, saiam, D. Bibi permaneceu.
Como seu amado Chico, também amava a arte, e nas horas
vagas tocavam o seu Banjo e cantarolava as musicas românticas e religiosas da
época.
Seu Chico e D. Bibi apesar de um lindo amor, não foram
agraciados com filhos biológicos, mas isso em nada tirou o brilho do seu lar,
adotaram dois , Fernando que ainda jovem partiu para o Rio de Janeiro e os deixou sem noticias, o que muito lamentava
D. Bibi, e a Dona Josefa que cuidou deles com muito carinho e os presenteou com
uma neta que é minha amiga Maria das Graças muito amada pelo casal.
e lá estava D. Bibi sempre feliz
e sorridente de abraço aberto para receber a todos, muitos a
chamavam de “
Madrinha Bibi”.
mas o o sorriso era o mesmo, continuava feliz e sempre dizia, essa escuridão jamais me impossibilitará
de ver o meu Francisco.
Hoje mais de
30 anos sem a Dona Bibi, sempre
que falo nela me emociono e tenho o pressentimento que ela está ao meu lado com
o seu sorriso.
Foi uma benção Madrinha Bibi, ter conhecido a Senhora.
Orlando Araujo

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